quinta-feira, 23 de setembro de 2010

A carta de Joãozinho


- Eu quero que vocês escrevam uma carta – disse a professora.

Ao término do tempo, lá foi Joãozinho entregar a carta pra professora. Ela leu, arregalou os olhos e falou:

- Joãozinho, como você foi capaz de escrever isso? Um aluno tão inteligente. Vá já pra coordenação!

Na coordenação Joãozinho contou o ocorrido.

- A professora mandou a gente escrever uma carta, eu escrevi, mostrei pra ela e ela me mandou aqui.

Após rápida leitura o rosto de espanto.

- Joãozinho, não acredito nisso. Vá já pra diretoria!

Chegando lá...

- A professora mandou a gente escrever uma carta, eu escrevi, mostrei pra ela e ela me mandou pra coordenação. Lá na coordenação a coordenadora leu e mandou pra cá.

- Joãozinho, o que significa isso? Isso não é coisa que se faça numa instituição de ensino. Você está expulso da minha escola! Pode ir para casa e nunca mais apareça aqui.

Cabisbaixo, Joãozinho foi embora da escola com a mochila nas costas, a carta na mão. Pegou seu ônibus de volta pra casa. O trocador seu amigo estranhou Joãozinho fora da escola tão cedo. Perguntou o que havia ocorrido.

- A professora mandou a gente escrever uma carta, eu escrevi, mostrei pra ela e ela me mandou pra coordenação. Lá na coordenação a coordenadora leu e mandou pra diretoria. Lá na diretoria a diretora leu e me expulsou da escola.

- O que deve haver de tão grave nessa carta? (...) Filha da puta! Que porra é essa? Pára o ônibus motorista, esse garoto vai descer e é pela porta de trás. Vaza garoto!

E lá foi Joãozinho caminhando pelas ruas até chegar em casa. No meio do caminho encontrou seu vizinho policial que logo perguntou o que ele estava fazendo tão cedo fora da escola.

- A professora mandou a gente escrever uma carta, eu escrevi, mostrei pra ela e ela me mandou pra coordenação. Lá na coordenação a coordenadora leu e mandou pra diretoria. Lá na diretoria a diretora leu e me expulsou da escola. Então eu resolvi voltar pra casa, mas estava no ônibus quando o trocador leu e me expulsou do ônibus.

Novamente o espanto estampado no rosto de mais um leitor.

- Joãozinho, eu como um profissional empenhado na convivência pacífica da população não posso permitir que você ande por aí com isso em mãos. Peço que você me acompanhe até a delegacia mais próxima.

E lá foram o policial e Joãozinho para a delegacia. Lá o delegado quis saber o que havia ocorrido.

- A professora mandou a gente escrever uma carta, eu escrevi, mostrei pra ela e ela me mandou pra coordenação. Lá na coordenação a coordenadora leu e mandou pra diretoria. Lá na diretoria a diretora leu e me expulsou da escola. Então eu resolvi voltar pra casa, mas estava no ônibus quando o trocador leu e me expulsou do ônibus. Quando estava voltando para casa de pé encontrei meu vizinho que é policial. Ele leu a carta e me mandou para a delegacia.

- Deixe-me ver essa carta. (...) Filho, infelizmente não posso permitir que você volte pra casa, você terá que ficar preso alguns dias aguardando o processo que será movido pelo Estado contra você.

Lá estava Joãozinho preso. Alguns dias depois no processo.

- Declaro aberto o processo contra Joãozinho. O que o réu tem a falar?

- A professora mandou a gente escrever uma carta, eu escrevi, mostrei pra ela e ela me mandou pra coordenação. Lá na coordenação a coordenadora leu e mandou pra diretoria. Lá na diretoria a diretora leu e me expulsou da escola. Então eu resolvi voltar pra casa, mas estava no ônibus quando o trocador leu e me expulsou do ônibus. Quando estava voltando para casa de pé encontrei meu vizinho que é policial. Ele leu a carta e me mandou para a delegacia. Na delegacia o delegado me prendeu após ler minha carta e agora estou esperando meu julgamento.

Após apurado os fatos e as provas o juiz não teve dúvidas quanto ao veredicto.

- CULPADO! Sua pena será de morte na cadeira elétrica.

E lá foi Joãozinho preso novamente. Dois dias depois morreu eletrocutado na cadeira elétrica. Chegando ao céu lá estava Ele de braços abertos esperando por Joãozinho. Como um trovão sua voz suave ressoou.

- Joãozinho, o que fazes aqui meu filho? Pareceu-me um garoto cheio de vida, obediente, educado. Não te esperava aqui tão cedo.

- A professora mandou a gente escrever uma carta, eu escrevi, mostrei pra ela e ela me mandou pra coordenação. Lá na coordenação a coordenadora leu e mandou pra diretoria. Lá na diretoria a diretora leu e me expulsou da escola. Então eu resolvi voltar pra casa, mas estava no ônibus quando o trocador leu e me expulsou do ônibus. Quando estava voltando para casa de pé encontrei meu vizinho que é policial. Ele leu a carta e me mandou para a delegacia. Lá na delegacia o delegado me prendeu após ler minha carta e pediu pra eu esperar pelo meu julgamento. Fui julgado, mas o juiz após ler minha carta deu o veredicto na hora: culpado. Então fui condenado a pena de morte na cadeira elétrica e agora estou aqui.

- Mas o que pode haver de tão grave nesta carta? Deixe-me lê-la. (...) Pelos anjos do Senhor, chagas abertas, coração ferido, meu sangue tem poder, Osana nas alturas, céus e terras passarão, mas essa carta não passará. Joãozinho você não é digno de entrar no Reino dos Céus. Vou mandá-lo para outro local.

E com o seu poder divino, Deus expulsou Joãozinho do Céu. E lá foi ele descendo, descendo, descendo... Chegando ao Inferno, Joãozinho foi logo questionado pelo Diabo.

- A professora mandou a gente escrever uma carta, eu escrevi, mostrei pra ela e ela me mandou pra coordenação. Lá na coordenação a coordenadora leu e mandou pra diretoria. Lá na diretoria a diretora leu e me expulsou da escola. Então eu resolvi voltar pra casa, mas estava no ônibus quando o trocador leu e me expulsou do ônibus. Quando estava voltando para casa de pé encontrei meu vizinho que é policial. Ele leu a carta e me mandou para a delegacia. Lá na delegacia o delegado me prendeu após ler minha carta e pediu pra eu esperar pelo meu julgamento. Fui julgado, mas o juiz após ler minha carta deu o veredicto na hora: culpado. Então fui condenado a pena de morte na cadeira elétrica. Morri, subi ao Céu, porém Deus ao ler minha carta me expulsou de lá. Agora estou aqui.

Então o Diabo leu a tal carta. E pela primeira vez a expressão facial mudou. Ele soltou uma risada satânica e vibrou.

- Finalmente tive o prazer de ler algo tão grandioso. Joãozinho o seu lugar é aqui. Seja bem-vindo.

Então o Diabo foi orgulhoso até o mural e colou a tal carta do Joãozinho para que todos pudessem ler. Então, de repente, soprou um vento e a carta voou do mural, caiu no chão flamejante do Inferno e pegou fogo.

Antes que me perguntem o que tinha escrito na carta eu digo que não sei, pois, como eu já falei, a carta pegou fogo.

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Momento Ih, Fudeu!


Você mora em Fortaleza, convive diariamente com aquele calor infernal e naqueles dias as muriçocas (ou pernilongos, dependendo do local) voltaram a atacar. Ventilador no 3 (sem fazer apologias a bandas regionais) pra sobreviver ao caos dessa situação. Eis que de madrugada falta energia. Lá vem aquela zuadinha chata no seu ouvido, Ziiiiiiiin, ziiiiiiiiin. Você se enrola pra se proteger da muriçoca, ou se descobre pra se salvar de ferver com o calor? Ih, fudeu!

Situação anterior acrescida de uma prova no dia seguinte que você foi obrigado a fazer por conta de 0,085 pontos.. Claro que você aproveita pra estudar um pouco mais, já que não está conseguindo voltar a dormir. Ao amanhecer vai para a faculdade fazer o tal teste e no meio do caminho bate o carro. Ih, fudeu!

Situação anterior acrescida de o fato acontecer na semana de véspera das férias. Adeus carro, adeus dinheiro, adeus férias. Ih, fudeu!

Situação anterior acrescida de sua mãe estar em casa por causa de uma cirurgia. Ela inclusive vai passar o seu mês de férias em casa o dia todo. E junto com ela vem o “Vá tomar seu remédio.”, “O que você está fazendo?”, “O almoço está pronto, vem comer.”, “Por que você vive no MSN?”, “Vai pra onde? Com quem? Volta que horas?”, “Vamos ao supermercado, depois ao banco, depois ao médico, depois à farmácia, depois à concessionária, depois à igreja, depois...”. Adeus sossego nas férias. Ih, fudeu!

Situação anterior acrescida de você não ter mais séries pra assistir no computador. Ou seja, você passa o dia em casa sem ter o que fazer. Ih, fudeu!

Situação anterior acrescida de uma dermatite no rosto que lhe impede de pegar sol. Você é obrigado a dispensar a única saída que surgiu para você. Praiazinha. Ih, fudeu!

Situação anterior acrescida de um acidente que causou o afogamento do celular do seu irmão. Agora ele quer de volta aquele celular que faz tudo que lhe deu de presente de aniversário, pois ele não pode ficar sem telefone. Adeus celular. Ih, fudeu!

Situação anterior acrescida de uma retirada de dinheiro da conta corrente. Eu nem dinheiro tenho na conta corrente, só na poupança, ou seja, tô devendo ao banco. Ih, fudeu!

Então em meio a todas essas situações você conhece alguém bacana, começa a gostar a da pessoa, troca juras, promessas, compartilha desejos, desenvolve uma relação bem íntima a ponto de... Ih, fudeu!

E alguns poucos dias depois a pessoa viaja para longe sem data pra voltar. Ih, fudeu!

Ainda vem o Dunga e fode com o meu Infinity. Ih, fudeu!

Ainda vem o Tiririca, a mulher melancia-pêra-uva-maçã-salada-mista, o Maguila, o Kiko e o Leandro do KLB, o Kleber Bambam, a Gretchen, o Netinho de Paula, e mais trocentos outros artistas decadentes, e fodem com a política nacional. Ih, fudeu!

Ê vida fudida!!!

Qualquer semelhança com a realidade é mera coincidência.

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Reclamando de A - Z

E no pior dia do ano cá estou com mais um post. Na verdade, por ser o pior dia do ano, já se imagina a qualidade disso aqui né. Não vai sair muita coisa boa. Na verdade só queria reclamar. Para os mais sensíveis melhor não continuarem a leitura, cenas muito fortes com linguajar vulgar está por vir.


a) Vou reclamar da tabela de números aleatórios que o professor deve ter usado para dar aquela nota pra mim. Pior é ficar me enrolando ao telefone, dizendo pra eu fa fa fazer a pro pro provinha. Qual será o tipo de retardo mental dele?

b) Vou reclamar da professora que acha que 0,085 é o suficiente pra dar uma cagada fenomenal no meu histórico. E ainda vem com aquela voz calma de astenia profunda. Cochilei cinco vezes enquanto falava com ela ao telefone.

c) Vou reclamar, aproveitando que falei de cagada, do cocô de gato no qual não pisei dia desses, mas que levei a culpa por ter pisado. Olhei no meu tênis e não tinha nada pregado, mas fui o bode expiatório da vez. Olhe se for pra levar culpa que seja por ter feito a coisa. Burramente eu não fui lá fora da sala e pisei num real tolete de gato, misturado com mijo, vômito, escarro, formol do laboratório de anatomia e uma pitada de jardineira com picadinho do RU. Aí sim, não negaria que o cheira era do meu tênis.

d) Vou reclamar do meu carro por não ter conseguido frear a tempo de bater em outro carro. Claro que a culpa não foi minha, obrigação do freio é parar o carro, se não parou então a culpa é dele, se o pneu tava careca então a culpa era do pneu, se a pista tava molhada então a culpa era da pista (ou da água por molhar), só não era minha.

e) Vou reclamar do carro que eu bati por ter batido em outro carro. Era pra ele ter mantido a distância de segurança do carro da frente pra evitar justamente isso. Fudeu com meu orçamento familiar, consertar três carros (incluindo o meu).

f) Vou reclamar do fato de isso ter acontecido a uma semana das minhas férias. Resultado: adeus férias. Não vou ter carro pra sair, nem dinheiro. Tudo bem que o dinheiro pra pagar o rombo não vai sair do meu bolso, mas com certeza também não vai entrar dinheiro nenhum no meu bolso nos próximos meses.

g) Vou reclamar do buraco que o meu corpo formou no meu colchão. Agora não durmo mais de cama, pois o colchão vira rede quando eu deito, se adapta completamente ao meu corpo. Quando amanheço todo entrevado tenho que sair de dentro de uma vala com muito esforço.

h) Vou reclamar da bateria do meu celular-que-faz-tudo. Ele canta, toca, dança, faz pipoca, faz cafuné, tira dinheiro do banco, lava louça, limpa banheiro, agoa as plantas, faz as compras da minha casa, me consulta, faz terapia comigo, me aconselha... ele faz tudo, inclusive ligar. É igual farmácia Pague Menos, vende tudo, inclusive remédio. Porém a bateria do meu celular só agüenta 24horas. Nem o meu Nokia 3310 modelo tijolão halteres de academia, era tão fraco.

i) Vou reclamar das minhas meias furadas e das minhas cuecas afolozadas. Se quiserem me dar meias que não estejam na promoção “Compre 5 pares e ganhe um ferro de passar da Wallita” já podem. Aceito até as Meias Vivarinas, aquelas que não são cortadas nem pelas Facas Ginsworld Class. Mas pela óstia consagrada meu pé é 43, achem uma meia decente que caiba num pé indecente desses. Digo o mesmo para as cuecas, o elástico delas está pouco resistente. Tem uma que eu só uso porque já é de estimação, mas não segura mais nada, e ainda deixa um mondrongo disforme na frente enquanto a borda da cueca fica em formato de ondinhas.

j) Vou reclamar também da falta de espaço no meu quarto. E não é porque eu sou bagunçado não. Daqui a pouco tempo, pra entrar algo ali vai ter que sair outra coisa. Eu já nem me considero mais dormindo naquela cama daqui há seis meses. Vou pra sala. A cama já está semi ocupada, atualmente durmo na metade dela. Já quero um puxadinho no meu quarto pra jogar minhas tralhas.

k) Vou reclamar da privada do meu banheiro que não pára de pingar. Daí vem o meu pai e diz que eu cago muito grande e que por isso entope. Desculpa se eu ainda não aprendi a lendária técnica de fatiar a bosta pra facilitar a vida da descarga.

l) Vou reclamar da falta de tempo pra estudar pra toda e qualquer prova da faculdade. Não venham budejar no meu ouvido e dizer que é porque deixo a matéria acumular. Desculpa se eu tenho vida social. Pior é quem não tem vida social e ainda assim não consegue terminar a matéria. Morram.

m) Vou reclamar daquele aspirante a halterofilista da minha academia que fica gritando enquanto levanta peso. Se não pode com os pesos que carrega então não coloque ora porra! Pior é ficar gemendo feito uma porca no cio. Fora que fica todo suado se esfregando nos aparelhos. Nem autoclavando esteriliza aquela gosma. E ainda atrapalha a gente, pedindo pra ajudar a levantar os pesos com ele. Ô vontade que eu tenho de soltar sem querer a barra na cara dele. E digo logo que se alguém se identificar com isso eu nego até a morte que fui eu que escrevi.

n) Vou reclamar da minha internet à lenha. Lerdox. Ver vídeos no Youtube é uma lenda. Baixar seriados é uma ilusão. Já até tentei deixar baixando de um dia pro outro, laptop ficou lá, ligadão na tomada a noite inteira, quando acordei empolgado pra ver o que tinha baixado, descubro que a internet tinha caído. O nome disso é sabe qual? Acha pouco. Se o próximo presidente quiser fazer um projeto Bolsa Velox eu acho digno. Já tem o meu voto.

o) Vou reclamar do Cid Gomes. Claro que não poderia de deixar de reclamar dele que tanto fez pela minha Universidade. Vocês estão entendendo a minha ironia ou eu vou precisar colocar isso ¬¬ ? Se ele quiser entender que ele é governador do ESTADO e que por isso precisa investir na educação do ESTADO, tipo na Universidade ESTADUAL do Ceará, seria bom. Não fez nada pela UECE. Tomara que ele se afogue no Aquário que ele planeja construir.

p) Vou reclamar da falta de absurdo do Instituto Superior de Ciências Biomédicas por ter nos expulsado de uma das salas de lá. Mas calma, vamos para outro bloco que vai ser construído com toda infra-estrutura necessária para que possamos ter aulas com recursos de datashow, ar-condicionado, paredes isoladas, cadeiras acolchoadas... Hanrãn, senta lá Cláudia.

q) Vou reclamar do meu plantão que está mais parado do que a pedra que havia no meio do caminho. Residentes de greve, staffs não descem pra atender ninguém, fico boiando feito merda n’água. Se quiserem salvar o povo já podem viu.

r) Vou reclamar do frio que faz na residência médica de madrugada. É um martírio dormir naquela geladeira, posso dormir 10 horas da noite, mas ainda acordo como se tivesse dormido muito pouco, pois fico me acordando de 10 em 10 minutos por causa do frio. Acho digno desligarem o ar-condicionado enquanto eu estou dormindo.

s) Vou reclamar de datas onde todo mundo fica numa felicidade questionável desejando tudo de ótimo pra você. A saber: Natal, Ano Novo, Aniversário e Dia dos Namorados. O discurso é sempre o mesmo: felicidades, sorte, saúde, paz, blá blá blá. Já posso ter abuso disso? Por que ninguém surpreende tipo “vamos para um cabaré”, “vamos beber até morrer, eu pago”, “desejo que você tenha 12 mulheres, uma pra cada mês do ano pra não enjoar”, “pega a chave do meu carro, pode sair nele hoje e voltar quando quiser”? Se quiserem ousar comigo estou topando.

t) Vou reclamar das minhas caspas que não largam da minha cabeça nem com xampu anti-caspa. Já cortei o cabelo no zero, já usei uma loção que tinha cheiro de bosta de vaca misturado com o suor do halterofilista da academia (vide letra m) e nada resolveu. Tenho é vergonha quando vou cortar o cabelo e vejo as expressões faciais do cabeleireiro do tipo “que demônio de farinha é essa no cabelo dessa criatura?”.Se alguém tiver um produto bom que ajude eu agradeceria.

u) Vou reclamar da minha indecisão, insegurança e incerteza (nem sei se querem dizer a mesma coisa). Não carece de explicação.

v) Vou reclamar até da Lorena Simpson e suas músicas viciantes. Ela deve ter feito pacto com o demo, porque eu não consigo mais parar de ouvir essas músicas. “Free to live, live my life, now I’m letting all behind.”

w) Vou reclamar das minhas mazelas, tipo meus olhos problemáticos, minha epilepsia parcial simples, minha CMAFM (Carência Múltipla Aguda Fatal Maligna), minha bipolaridade, minha demência supra-cortical, minha enxaqueca, minha catarrocefalia, dentre outros que não vale citar aqui. Se o Criança Esperança me conhecesse faria um show só em prol da minha saúde. Teleton já tentou me ajudar uma vez.

x) Vou reclamar dos meus pêlos corporais. Podem crescer, mas se quiserem crescer mais devagar já podem. Meu estilo Tony Ramos não me agrada, prefiro estilo Gianecchini (comentário gay, não?).

y) Vou reclamar das minhas reclamações totalmente sem sentido, vocês são muito pacientes por chegarem até aqui. Deus é mais, chagas open.

z) Vou reclamar finalmente da porra desse alfabeto com tanta letra. Caralho! Quase não acabo essa bosta aqui. Fui.


Parabéns para mim! ¬¬’

sábado, 24 de julho de 2010

10 Dicas de Como Ser Uma Boa Outra

Falarei hoje sobre a sina de ser O(A) OUTRO(A), ou o(a) amante, entendam como quiser. Para ficar mais claro, tratarei de um caso entre um homem, sua esposa/namorada e a outra, do ponto de vista da outra, mas se estende para os outros casos, dois homens e uma mulher, três homens, três mulheres, quatro, cinco...


1. Não ligue jamais. Se ele quiser algo com você não se preocupe, ele ligará. Ao ligar, você poderá estar gerando uma situação de desconforto entre ele e a namorada. Imagine se você liga e ele está com ela, vai gerar a famosa pergunta "Quem é?", então ele terá que mentir para a namorada, o que trará transtorno, constrangimento, enfim. Mesmo que você sinta necessidade de falar com ele não ligue. Se distraia, ligue pra mãe, pra amiga íntima, coma sorvete (80% de chance de você melhorar com este método), chocolate, saia com amigos, fala qualquer coisa que distraia sua atenção dele.

2. Crie códigos. Como é muito difícil seguir a regra acima, invente um código para que seja dito ao telefone de modo que a pessoa que esteja acompanhando ele não desconfie que ele esteja falando com uma outra, no caso você. Algo bem simples, que surja rápido na mente logo de cara. Tipo: Alô? Oi, sim, minha sala está fazendo calor mesmo, conserte a central de ar-condicionado. Tchau. Pronto, no calor que faz hoje em dia, falar sobre calor é algo super natural. Esse foi apenas um exemplo, mas pode ser apenas uma única palavra que quando dita numa frase possa gerar o seu entendimento de momento inoportuno. Se você conseguir estabelecer apelidos para as pessoas pode até ousar conversar ao telefone. Alô? Sim, estou com a cabeça nas nuvens (cabeça nas nuvens = namorada/esposa), mas prometo que assim que chegar em casa eu vou procurar resolver esse problema (resolver esse problema = ligar pra você), daí a gente poderia até conversar melhor sobre a relação entre nossa sociedade (relação entre nossa sociedade = sexo).

3. Esteja sempre disponível. Já que você não pode ligar pra avisar quando você poderá se encontrar com ele então você estará a mercê da vontade dele. Quando ele quiser você vai ter que querer também. Dê seu jeito, saia do cabeleireiro com tinta no cabelo, saia do supermercado com metade das compras por fazer, saia da balada a hora que for morta de bêbada para ir pra casa dele, termine seu cocôzinho rapidamente e corra pra lá... Não perca a oportunidade que ele está lhe dando de se encontrar com você. Aproveite.

4. Ande sempre com o celular por perto e carregado, afinal você não vai querer perder a hora que ele ligar. Não importa a hora, manhã, tarde, noite, madrugada, em casa, no trabalho, no aniversário do sobrinho, na boate, quando estiver comendo, quando estiver bêbada, quando estiver fazendo cocô (denovo o cocô na história)... Toda hora é hora para ele ligar e você terá que estar preparada para atender o telefone e já ir se preparando para correr para o local escolhido. Com o tempo você aprenderá a pensar na melhor roupa enquanto atende ao telefone, falar com ele enquanto troca de roupa e até a se maquiar enquanto implora que seja na casa dele.

5. Não o chame para sair. Vai ter apenas dois trabalhos: o de exprimir sua vontade de sair com ele e o de ser frustrada por um NÃO enorme. Ele não sairá com você para locais públicos. O único canto onde vocês se encontrarão será ou no Motel, ou em alguma casa (dele ou a sua), nunca em ambiente aberto, público. Preciso nem dizer porque né? Ele tem uma namorada, não pode ficar mostrando pra todo mundo a outra. Se quiser almoçar com ele compre a comida e leve pra lá, se quiser ir ao cinema com ele alugue o filme pirata e assista lá, se quiser ir pruma festa com ele... DESISTA.

6. O que os une não é nenhum sentimento, é o sexo. Por isso, não fale de sentimentos pra ele, pois ele mentirá e dirá que gosta de você. Mas lembre-se de que no final do sexo, ele se arrumará, voltará para casa e dormirá com a mulher, enquanto você terminará a noite sempre sozinha. Simplesmente aproveite o momento sem pensar no que ele poderá estar sentindo por você.

7. Tenha sempre assunto para conversar. Passada a fase da conquista onde ele dará em cima de você, dirá que está afim, cantará você até você ficar roxa de vergonha e o seu útero escorrer por entre as suas pernas, o assunto declinará de tal forma que pode chegar ao simples diálogo: “Vamos hoje?”, “Vamos!”, “Onde?”, Aqui!”, “Certo, já estou indo.”, “Até mais.” Fale sobre a conjuntura sócio-econômica-político-ambiental mundial, sobre as fofocas dos famosos, sobre a novela das oito, sobre o seu corte de cabelo, sobre novas posições na cama (essa é infalível, sempre gera diálogos calorosos e prolongados), sobre a morte da bezerra... Só não deixe que o assunto caia naquele estágio monossilábico irreversível.

8. Saiba quais dias são os seus. Finais de semana nem pensar. Final de semana são os dias mais sagrados dos relacionamentos oficiais. As atividades extracurriculares (entenda-se por isso você) são praticadas durante os intervalos na semana, tipo hora do almoço, quando ele sai do trabalho e só tem aquela horinha pra ir em casa, comer alguma coisa e voltar. Pois é nessa hora principalmente que você deve prestar mais atenção ao seu celular. A chance de ele tocar é imensa. Os motéis nessas horas lotam. É a famosa hora da escapadinha. Finais de semana você procure espairecer, pensar na vida, só não pense nele, pois ele com certeza não estará pensando em você, estará nos braços da oficial.

9. Saiba apagar seus rastros. Se você quiser que essa vida de ser a outra perdure por muito tempo, saiba deixar o rapaz aparentemente tão intocado como se nunca ele tivesse estado com você. Por isso, nada de chupões. É uma marca chata que demora a sair e que provavelmente acabará com o relacionamento dele, pois algo daquele tamanho no pescoço da pessoa com certeza não foi causado por uma picada de muriçoca. Se você puder usar o perfume dele é ainda melhor, pois não misturará os cheiros e a namorada dele não desconfiará daquele novo cheiro na camisa dele. Batom na camisa? Aff, essa já está super ultrapassada. Enfim, não deixe vestígios, seja precavida.

10. Regra de ouro: não se apaixone sobre hipótese alguma. Se você foi escolhida para ser a outra então reconheça seu lugar e se comporte como tal. Tenha sempre em mente que a outra pessoa não largará o relacionamento estável dela para ficar com você. Se o cara lhe paquerou e conseguiu fazer com que você aceitasse o fato de ele ter namorada e ainda assim se relacionar com você, então ele vai aproveitar ao máximo a situação de ter dois relacionamentos. Além do mais, se você já está sendo a outra, imagine se ele terminasse o namoro dele para ficar com você... o que a faz pensar que ele não teria uma outra outra enquanto namora com você? Exatamente, não se apaixone, fique nesse relacionamentozinho medíocre sem futuro, mas não nutra nada por ele, pois ele não presta. E você como toda mulher que se preze quer um relacionamento estável, casar, ter filhos... Aproveite apenas para suprir sua carência enquanto procura um outro que tenha juízo.

E é isso. Ser a outra é um exercício constante de auto-anulação. Ligue o modo "sou um objeto sexual apenas" e siga em frente sempre com as 10 regras em mente.

domingo, 11 de julho de 2010

Sobre o fim inadiável


1º final

E um dia, dirigindo de volta pra casa tarde da noite após ter feito hora extra, ela parou no sinal à espera de a luz verde se acender. A rua estava deserta. Olhou para os lados e para o retrovisor para ver se alguém se aproxima. Ninguém. Finalmente o verde acendeu e ela vai tirando o pé da embreagem vagarosamente e pisando no acelerador. Só conseguiu escutar uma buzina alta à sua esquerda e uma luz forte que se aproximava rapidamente... E então a escuridão.

No instante seguinte, ela estava caminhando por um caminho ladeado de flores. Uma paisagem que não saberia descrever nunca, apenas sentir. E foi então que ela sentiu a liberdade pela primeira vez em anos. E aquela sensação invadiu o seu ser e ela se arrependeu por nunca ter experimentado aquilo na vida. E chorou feito um bebê, sem saber nem porque, se era pela felicidade de estar vivendo finalmente aquilo, ou se pelo arrependimento de sempre ter postergado vivenciar tal momento.

Do outro lado da vida, um grupo de médicos decidia o destino da paciente com morte cerebral que havia chegado na noite anterior após ter sofrido um grave acidente de carro.

2º final

E um dia, dirigindo de volta pra casa tarde da noite após ter feito hora extra, ela parou no sinal à espera de a luz verde se acender. A rua estava deserta. Olhou para os lados e para o retrovisor para ver se alguém se aproxima. Somente um mendigo que se aproxima para pedir dinheiro. Ao chegar próximo ao vidro do carro ele mostra sutilmente a arma que carrega consigo e grita para ela sair do carro. E ali mesmo, no meio da rua deserta e fétida da cidade ele a estupra. Ela ainda tenta resistir e gritar, mas ele era bem maior do que ela e mais forte. Durou pouco mais de 10 angustiantes minutos. Mas para ela foi uma eternidade de repúdio e asco.

Foi a primeira vez que ela faltou ao trabalho em toda a sua vida. Não desejava mais sair de casa, tinha pânico, lembrava do rosto do mendigo barbudo entrando nela com brutalidade. E sem sair de casa, pediu afastamento do emprego. Estava só, ninguém estava por ela naquele momento.

Nove meses depois, o fruto daquele estupro nascia. A gravidez foi complicada, o parto também. A criança nasceu prematura com problemas neurológicos e necessitava de cuidados especiais para sobreviver. A mãe não tinha condições financeiras nem psicológicas de tratar daquela criança. Foi triste presenciar aquela cena: o juizado de menores arrancar das mãos daquela mãe considerada insana o único vínculo que a mantinha de pé ainda. Dois dias depois ela desistiu e voou para longe do oitavo andar do seu prédio.

3º final

E um dia, dirigindo de volta pra casa tarde da noite após ter feito hora extra, ela parou no sinal à espera de a luz verde se acender. A rua estava deserta. Olhou para os lados e para o retrovisor para ver se alguém se aproxima. O sinal abriu. E então num impulso não dobrou a esquina em direção ao seu apartamento. Resolveu seguir em frente, rumo ao barzinho onde seus companheiros de trabalho sempre iam. Sempre a chamavam mas ela sempre inventava uma desculpa para não ir. Dessa vez resolveu aparecer. Todos ficaram muito surpresos com a chegada da "Chefe". Foi uma noite maravilhosa para ela. Jamais imaginara que pudesse se divertir tanto. Aliás, era a primeira vez que ela fazia isso em anos. Ousara até beber uns drinks.

Naquela noite, foi para casa acompanhada de um rapaz que conhecera. Todas as mulheres do ambiente estavam de olho nele, era o rapaz mais bonito que ela já vira na vida. Brilhantes olhos verdes, um rosto com uma barba por fazer que o deixava mais charmoso, bem vestido. Era um sonho. Ainda sob efeito dos drinks ela se deixou levar pelo desejo contido durante tempos. Se entregou para ele e transou como se fosse a última coisa que faria na sua vida. Como ela conseguira adiar por tanto tempo aquele desejo de liberdade dentro de si?

No outro dia, ao acordar, não se lembrava de muita coisa, mas sentiu falta de uma presença ao seu lado. Levantou-se, foi até a cozinha e lá estava ele, o deus grego da noite anterior. Então não fora um sonho. Estava vivendo o melhor momento da sua vida. Mal sabia ela que o rapaz nunca mais voltaria a aparecer e que poucas semanas depois do ocorrido, começaria a emagrecer rapidamente. Fez uns exames e na consulta com o médico só conseguira escultar duas palavras antes de o seu mundo desabar: HIV positivo.

4º final

E um dia, dirigindo de volta pra casa tarde da noite após ter feito hora extra, ela parou no sinal à espera de a luz verde se acender. A rua estava deserta. Olhou para os lados e para o retrovisor para ver se alguém se aproxima. Ninguém. O sinal acendeu e ela seguiu pra casa. Chegando lá olhou para as correspondências sobre a mesa. Cartas dos seus pais, contas a pagar. Cansada ela estirou seus pés sobre a mesinha de cabeceira. E voltou a tossir. Começou a estranhar essa tosse persistente que ela sempre sentia ao chegar em casa. Fazia mais de um mês que isso acontecia. Logo tomou um remédio e foi dormir. Depois marcaria um médico, agora estava sem tempo para aquilo.

No outro dia, voltou a tossir, dessa vez no trabalho. Sua garganta doía muito. Naquela noite em casa, tossiu sangue vermelho vivo. Na mesma hora começou a sentir um cansaço e uma dificuldade de respirar. Entrou em pânico. Ligou para a Emergência. Em meia hora estava no hospital mais próximo. Após exames, o médico sentenciou: "Câncer de Pulmão, você tem mais 6 meses de vida."

E foram os seis meses mais bem vividos por ela. Voltou para casa dos seus pais, reencontrou seus amigos de infância e da época do colégio, namorou o rapaz mais bonito da turma por quem sempre fora apaixonada, realizou seu sonho de viajar para África, doou parte da sua fortuna para empresas beneficentes, patinou no gelo, recebeu flores, deu gargalhadas, comeu sorvete, caminhou na praia de mãos dadas... foi feliz. Nos últimos dias de vida, ao perguntarem sua idade ela respondeu: 6 meses.

sexta-feira, 9 de julho de 2010

Sobre o eterno adiar


“Com certeza teria tempo depois.” Era esse o pensamento dela a maior parte do tempo, desde que completara 15 anos e resolvera ingressar numa difícil faculdade pública de sua cidade.

Começou tentando passar na tal faculdade. Estudava dia e noite, de domingo à domingo, faça chuva ou faça sol. Nunca foi de sair à noite para festas e o fanatismo pelos estudos fez com que ela se distanciasse dos colegas de sala, dificultando ainda mais sua vida social. Durante as viagens os livros sempre a acompanhavam. Namorar nem pensar. Porém ela não via naquilo um problema, sabia que estava fazendo o melhor para si, pois depois que passasse com certeza teria tempo pra fazer tudo que não fizera. Infelizmente na sua primeira tentativa de vestibular, apesar dos esforços, não passou. Focara muito no conhecimento e descuidara do psicológico. Resultado: nervosismo, má administração do tempo de prova, choro descontrolado, desastre total.

Foi um baque, mas ela superaria, dessa vez com mais estudos e uma pitada de controle emocional. Foi nessa época que começou a freqüentar o psicólogo para manter sua estabilidade emocional durante a prova. Após outro ano de abdicação e total dedicação aos estudos ela logrou êxito no vestibular. Passara em 54º lugar. Agora sim, teria tempo para fazer tudo que havia abdicado naqueles anos.

Em pouco mais de um mês as aulas na faculdade começaram. O volume de matéria era muito maior do que antes e o tempo para estudar muito menor. Fora isso ainda haviam atividades extras para incrementar o currículo: projetos de pesquisa, projetos de extensão, estágios, monitorias. A instabilidade emocional dela voltou a afetar seu dia-a-dia. Desesperava-se facilmente com a quantidade de coisas a fazer. Devido ao volume exorbitante de estudos, sempre se mantivera distante da sua turma, pois achava que perderia o foco caso se envolvesse com as pessoas da faculdade, afinal eles viviam em festas, bebiam, viajavam, alguns tiravam notas baixas, e não era isso que ela queria para si. Por isso, não tinha sequer um amigo com quem pudesse conversar, confiar segredos, rir.

“Com certeza teria tempo para tudo isso depois.” Voltara a pensar nisso. E assim levou a faculdade. Quando não mais agüentava a pressão que ela se auto impunha corria para o psicólogo e desabafava tudo que tinha em mente. Este era como uma válvula de escape.

Alguns anos nessa luta e, enfim, terminara o curso. A formatura foi linda, sua família estava orgulhosa da filha que se formara no curso mais difícil da faculdade pública mais bem conceituada do país. Ao redor todos eram só alegria, parentes se abraçando, namorados se beijando, amigos relembrando os bons tempos vividos. E ela sentada na sua mesa feliz pela sua conquista. Finalmente teria tempo para escrever a história da sua vida, iria namorar, sair para festas, viajar pelo país, conhecer gente nova, iria desfrutar da vida pela qual se privou todo esse tempo. Era essa a esperança que a movia naquele momento. Nem sequer a sua ausência nas fotos das festas da turma que passaram a ser exibidas no telão lhe causou tristeza.

Já tinha uma pós-graduação em mente ao terminar a faculdade, fora da cidade onde morava com os pais. Acabou se mudando para lá dois meses depois, indo morar sozinha no centro de uma cidade grande. Continuou difícil lidar com o tempo durante a pós. Precisava estudar muito, além de trabalhar e cuidar dos afazeres da casa. Economizava ao máximo o dinheiro para conseguir pagar as despesas. Após o término da pós, arranjou um emprego. Eram 8 horas diárias de expediente. Ela se dedicava ao máximo, trabalhava o seu expediente normal e sempre levava trabalho para casa. Era extenuante sua rotina diária, mas pelo menos estava ganhando bem agora. E pela ótima qualidade de trabalho ela era cada vez mais cobrada pelo chefe.

Em pouco tempo subiu de cargo, aumentando as cobranças sobre si. O tempo lhe era mais raro agora que tinha que gerenciar a vida de milhares de empregados. Chegava em casa todos os dias esgotada, nem férias ela conseguia tirar, pois tornara-se a engrenagem chave que movia toda a empresa, muita coisa dependia dela para funcionar.

Não via seus pais há anos. Sempre marcava a viagem e desmarcava em seguida, pois aparecia algo que a impedia de ir. Nem sequer tempo pra ligar ela tinha. Quando se esforçava conseguia mandar algo pelo correio pra eles. E os anos foram passando...




(Confesso que não terminei a história, tenho vários finais para minha personagem, no próximo post teremos os finais que pensei para ela.)

terça-feira, 22 de junho de 2010

Carta de um frustrado


E foi então que nos conhecemos. Numa época em que eu precisava de você e você de mim. E rapidamente nos identificamos, gostos semelhantes, interesses convergentes, pensamentos muito próximos. Porém geograficamente bem distantes um do outro. Mas quem liga pra isso? O que importa é o agora, vamos viver o que a vida nos reserva. E assim levamos o relacionamento dos sonhos. Sem cobranças, sem ciúmes, sem brigas. Somente com papos diários. E o que pintasse pra mim estava ótimo, pra você a mesma coisa. Só tínhamos um compromisso: o de sermos um do outro quando a hora nos chegasse. Até lá, continuaríamos nossas vidas normalmente. E isso funcionou. Durante um tempo...

Chegou o dia que todos os meus pensamentos eram seus. E minhas atitudes eram pra você. Meus sentimentos se fortaleceram a ponto de o “viver a vida normalmente” significar “viver a vida com você”. Desejos nasciam e eram reprimidos. O tempo e o espaço eram meus inimigos. Meus compromissos foram ficando de lado, enquanto os seus compromissos foram me deixando de lado.

E as conversas não eram mais as mesmas. Primeiro uma ceninha de ciúmes. Depois uma discussão sem motivos. Constatações pessimistas se firmando numa mente castigada pela vida. O amor nunca é a soma de dois iguais. Foi difícil admitir que a parcela recebida por mim era menor do que a ofertada. E a carência só piorava a situação. O silêncio me fazia sofrer.

Por que não fechar os olhos para a indiferença? Foi o que tentei por um tempo. Até que a Terra completou seu ciclo em volta do Sol e a omissão e o descaso apunhalaram meu coração. Teria que tomar uma decisão. Ou isso continuava e eu me afogava em frustração, ou eu acabava com o que um dia foi perfeito. Não foi fácil seguir em frente. Tentei ser indiferente também. Não consegui por muito tempo.

Tentei outras estratégias. Afastei-me, ignorei, pintei de cão, procurei em outras pessoas você... Nada funcionou por muito tempo. Meu orgulho nem existia mais. Expulsei e deixei você voltar várias vezes pra minha vida. Quando não mais forças tinha pra te expulsar resolvi conviver contigo e reprimir esse sentimento não compartilhado. Foi difícil. É difícil. Será difícil.

Nada disso é do teu conhecimento. Talvez nem do teu interesse. É por isso qie você não me merece. E apesar de eu ainda gostar de você e ainda pensar em você, tiro forças, não sei de onde, para suprimir todo esse sentimento. Não é fácil, mas noto que a cada dia eu estou um passo a mais na sua frente. E você está ficando pra trás.

Dos erros cometidos por mim não sei se extrai o conhecimento certo. Mas superficialidade está sendo a tendência na minha vida. Obrigado por me proporcionar tal aprendizado. Tenho sofrido bem menos desde que decidi assim ser. Boa sorte.