quarta-feira, 23 de março de 2011

Promessas #fail de início de semestre - o retornoe

... continuando a lenga lenga das promessas.

6. Eu vou passar mais tempo com a minha família.





Com o passar dos semestres essa vai realmente se tornando impossível. Se no começo do curso, passando a manhã e a tarde na faculdade e a noite em um curso de línguas, talvez até arriscando uma academia em algum horário do dia já é difícil, imagine com o avançar dos semestres quando surgem obrigações, como plantões, projetos de pesquisa, congressos, ligas, cursos... Definitivamente o lado que sofre é o da família. Quando você menos esperar a família vai estar cheia de membros novos, namorados, filhos, sobrinhos, esposas... que você nem sequer conhece e vai chegar ao ponto de se perguntar se realmente faz parte daquela família. Você vira um fantasma dentro da sua própria casa. Seus amigos da faculdade lhe verão mais que seus próprios pais e saberão muito mais da sua vida também. É o que dizem: minha casa é um ótimo lugar pra se visitar.

7. Vou me alimentar melhor





Me diga que mágica se faz pra sair de uma aula 12:00 em um ponto da cidade, deslocar-se para o outro ponto da cidade para não perder a outra aula que começa 12:30 e ainda ter tempo pra almoçar. Tá, digamos que o Harry Potter te ensinou a aparatar. Então você possui 30 minutos pra almoçar. Oba! Digamos porém que o Harry Potter não te ensinou isso... De acordo com uma professora: traga a marmita no carro e vá comendo no caminho. Super seguro. E se você anda de ônibus traga a marmita no ônibus e vá comendo no caminho. Super higiênico. O fato é que o dia às vezes é tão atribulado que quando você se lembra de comer o tempo é curto e então você recorre aos mais saudáveis alimentos existentes perto de toda faculdade. Coxinha de frango com Coca-Cola, sanduiche natural (que apesar de ser saudável não mata fome de ninguém, a não ser a partir do 5º sanduiche), cheetos, pacote de casadinhos com Nescau, biscoito recheado, barra de cerais... Qualquer nutricionista ficaria se estrebuchando no chão ao ver a dieta de alguns acadêmicos.

8. Vou dormir no mínimo 7 horas por dia





Depois de tudo que eu falei se você ainda encontrar tempo pra dormir é santo, fazedor de milagre, canoniza, Jesus! Você tem que optar na vida. Pra quem entrou na faculdade a opção já foi feita, não dormir bem. Dormir 7 horas é coisa pra final de semana e olhe lá. E em véspera de prova o negócio complica. Quando você não tira cochilos durante toda a madrugada, se levantando a cada 10 minutos pra ler uma página e voltar a cair no sono, você simplesmente nem dorme. Vai pra prova feito um zumbi, com os olhos fundos, barba por fazer e boca fedida (tem quem prefira estudar ao invés perder tempo se arrumando pra ir pra aula). Isso sem falar dos plantões onde você vai dormir no mínimo por volta de 1 da manhã. E é pra isso que existem aquelas aulas chatas, pra você dar uma descançada na pálpebra e tirar aquela pestana. Definitivamente faculdade não é sinônimo de dormir bem. Dormir é para os fracos.

9. Não vou pescar nas provas





Essa promessa é #tensa. Inclusive eu vou trocar essa palavra "pescar" por uma expressão mais leve, "conferir resposta". O auge do desespero de uma tensão pré-prova faz as pessoas cometerem atos macabros. O celular se torna seu melhor amigo nessas horas... claro, só se ele contiver os slides da aula gravados. Os famosos papeiszinhos que passeiam por toda a sala. O código morse de piscar olhos, bater o dedo na cadeira, balançar a cabeça e cruzar as pernas em determinada direção e parar em determinado ângulo. Possibilidades é o que não faltam. E você racionaliza estar fazendo essas coisas dizendo pra si: uma prova não mede conhecimento de ninguém, eu vou aprender isso, só não consegui aprender a tempo pra prova, mas eu vou saber disso no futuro. E assim você vai levando a faculdade. Que péssimo né. Só uma observação antes de terminar este tópico: ele foi escrito com base em observações, nada se aplica ao autor que vos fala.

10. Vou parar de entrar na Internet o tempo todo





E quem consegue? Primeiro que você precisa olhar o email da turma pra ficar antenado no que está rolando, qual aula foi cancelada, onde vai ser tal aula, quem é da equipe de quem, qual trabalho tem que ser feito... Começa nas obrigações. Quando você menos espera, está no MSN conversando com cinco pessoas ao mesmo tempo, está comentando a foto do fulano no facebook e curtindo seu link, está ajeitando a Colheita Feliz e o Café Mania no Orkut, está baixando um episódio de alguma série que vai assistir mais tarde, ou está comprando alguma coisa nesses sites de compras coletivas. E vai mexendo na Internet, fuçando, bulindo... de repente você nota que não leu o artigo que devia, não estudou o capítulo que o professor passou, não fez os slides do seminário do dia seguinte e já são quase meia noite. É... eis um vício do qual não se livra tão fácil. Eu já desisti.




Confiram as 5 primeiras promessas #fail de início de semestre
http://blogsemnomemaslegal.blogspot.com/2011/03/promessas-fail-de-inicio-de-semestre.html

domingo, 20 de março de 2011

Promessas #fail de início de semestre

Mais um semestre se aproxima e com ele se aproximam todas aquelas promessas que você insiste em fazer desde que começou a faculdade, mas que sabe que elas não serão cumpridas.

1. Juro que não vou deixar a matéria se acumular. A matéria que for dada no dia eu vou estudar no dia e vou até tentar adiantar a matéria para na próxima aula eu já ter noção do que vai ser dado.


Essa é a promessa prima, promessa clássica, quem nunca fez essa promessa pra si que atire a primeira apostila xerocada em mim. De todas as promessas existentes no mundo essa é a que nunca será cumprida. Não é exagero, é #fato. Deixe de ser besta, você tem outras coisas pra fazer, tem plantão, tem projetos de pesquisa, tem obrigações de liga pra cumprir, tem estágios... fora sua vida fora da faculdade (quase nenhuma). E o grande volume de matéria não espera que você vá ao cabeleireiro e passe 5 horas esperando por uma escova inteligente que sequer vai lhe deixar mais esperto do que era. Os professores não deixarão de dar matéria só porque você decidiu jogar aquela bolinha com os amigos, chegou em casa todo arrebentado e não consegue sequer virar a página do livro com dores.

2. Vou deixar de sair pras festas e me dedicar mais aos estudos.


Há quem cumpra essa promessa, há quem não saia pra festas de jeito nenhum. Mas vem cá, vale a pena? Tinha na cabeça essa promessa quando fazia 3º ano. #Fail. Nos 3 anos de cursinho também. #Fail. Por que na faculdade seria diferente? Aliás, as festas durante a faculdade são as melhores. Cê jura que vai deixar passar todos os anos de faculdade sem aproveitar o que a ela tem de melhor a oferecer, os ensinamentos de mundo? Ninguém ensina na faculdade a dançar forró depois da 5ª cerveja, nem te ensina a soltar aquele queixo federal na balada, nem te ensina que mais vale uma porta de festa com bebida e amigos do que uma festa com pessoas mortas de lindas sem ninguém conhecido e sem bebida. Fora que eu nunca conheci ninguém estando em casa.

3. Vou parar de beber


É quase uma promessa de começo de ano, mas serve pra início de semestre também. Inclusive geralmente essa promessa é feita junto com a promessa anterior. Já dizia a célebre frase "as melhores pessoas eu não conheci estando sóbrio". Não estou fazendo apologia ao alcolismo. Mas que é difícil cumprir essa promessa na faculdade é. É só você fazer uma análise das festas. Algumas podem até não ter comida liberada, mas bebida são sempre FREE. Não há uma festa/reunião/encontro/congresso/aglomeração de estudantes que não role a boa e velha birita. E nada melhor do que falar besteira, dizer que não lembra de nada no outro dia e botar a culpa na bebida. Claro, tudo com moderação. Até pra ficar bêbado tem que ter classe e estilo. Coisas que só o período de faculdade proporcionam pra você.

4. Não vou largar a academia (ou qualquer outra atividade física) no meio do semestre.



Essa é sempre complicada. No começo do semestre você ainda vai encontrando horários, a matéria ainda tá no começo, fácil, pouca, acho que dá tempo de ir pra academia, quando eu chegar em casa eu leio alguma coisa e pronto. Porém, como a matéria inevitavelmente irá se acumular, isso causará um desequilíbrio nos horários destinados às outras coisas do dia. E claro que a primeira coisa a ser sacrificada é aquele local que você vai pra suar, pra sofrer, pra colocar força, pra chegar em casa mais exausto... em outras palavras, você se dá conta de que está pagando a mensalidade da academia pra ir um dia na semana (ou nenhum dia). E quando o período de provas chega então... evasão da academia é quase uma certeza. Só resta a você admirar aqueles que conseguem ter um corpo bonito durante a faculdade enquanto você simplesmente está se acabando num hambúrguer ultra calórico num fast-food qualquer com direito a ovomaltine tamanho gigante. Circunferência abdominal crescendo exponencialmente, você troca de 38 pra 40 a numeração das calças, se olha no espelho e vê 3 queixos, tem vergonha de dar tchau e as pelancas debaixo do braço darem tchau junto com você... enfim, é #tenso.

5. Vou assistir a todas as aulas.


Hanran Cláudia, senta lá. Que mané assistir todas as aulas. Começo de semestre ainda dá pra cumprir essa promessa. Do meio pro final, você começa a sacar o funcionamento das aulas. Tem sempre aquela cadeira que você suporta todas as aulas da primeira metade do semestre pra poder ter o direito de faltar a todas as aulas da segunda metade do semestre. Tem aquela que você leva bolo várias vezes e depois começa a dar bolo nela várias vezes também. Tem aquela que a professora não faz chamada, ou seja, beijo me liga, tô tentando viver um pouco durante esse horário "livre". Tem aquela que a professora passa lista de freqüência pra assinar. Ou seja, beijo me liga, tô tentando viver um pouco durante esse horário "livre" enquanto meu amigo mais dedicado que eu assina meu nome. Tem aquela que a voz do professor é canção de ninar, você dorme que baba do início ao fim. Tem aquela que você entra na sala, assiste dez minutos de aula, sai da sala pra fofocar sobre a roupa e o corte de cabelo que a fulana estava usando na festa de casamento da prima da vizinha e só volta pra aula nos dez minutos finais pra pegar a chamada. O fato é que essa de assistir todas as aulas tá mais que furado. Inclusive, particularmente falando, tem aulas que aprendo muito mais sentado em casa estudando do que assistindo aula.


Post sujeito a acréscimos à medida que o autor for lembrando das promessas #fail que ele tanto faz.


Continuação do promessas #fail de início de semestre
http://blogsemnomemaslegal.blogspot.com/2011/03/promessas-fail-de-inicio-de-semestre-o_23.html

terça-feira, 15 de março de 2011

Entrando na academia

Um dia você finalmente se olha no espelho e constata:



"Aqueles africanos se sentem magros? Olhem pra mim. Sou uma gaiola. Meu relógio não tem buracos suficientes pra apertar no meu pulso. Meu corpo samba dentro das minhas camisas. Minha roupa é feita sob medida... pra menor do que a que o mercado oferece. Já posso dar depoimento na próxima novela do Manoel Carlos de como sobrevivo com esse corpo."

E então, cansado de chegar nas lojas de roupa e ouvir a atendente falar "35? É pra sua namorada?", cansado de ser chamado de vara seca, sibite baleado, seco do 15, couro e osso, e outras variações de apelidos, você finalmente resolve encarar aquele desafio que tanto adiou: entrar na academia.

Primeiro dia lá está você se sentindo a Amy Winehouse com seu corpo escultural olhando para todo mundo que parece tão mais forte que você. Olha aqueles aparelhos de tortura e se imagina suando goteiras neles. Vai fazer os exercícios com halteres de 1kg, pesos de 2kg no supino, levanta 3kg morrendo na rosca direta. E claro, sempre olha pros lados pra notar o olhar reprovador dos outros que pegam 10, 20, 30kg e acham que você está ali só pra ocupar o espaço deles. É sofrido! Sem mencionar os sustos após os gritos daquele bombado que levanta 100kg com o dedo mindinho machucado. E pra piorar tem os espelhos distorcidos da academia mostrando a todo momento que você não está bem naquele corpo. Se tiver magro ele vai exacerbar, se tiver gordo ele vai exacerbar, se tiver com o corpo bacana ele não vai exacerbar de jeito nenhum. É um bullying psicológico.

Porém sofrimento maior você vai sentir no dia posterior. O tal do ácido láctico que se acumulou e blá blá blá nos músculos vai causar digamos um incômodo. Parece que levou foi uma surra de açoite, nem os escravos antigamente sofriam desse tanto, parece que correu a corrida de São Silvestre puxando uma carroça pelas costas, consegue nem abrir os braços, as pernas fraquejam de vez em quando e anda feito o boneco de Olinda.

Momento crítico, você já pensa em desistir logo de cara. Se a força de vontade persistir, essa dor passa em uma semana. Então digamos que você continuou na academia, já pagou o mês, tem que fazer até o fim, nada de desperdício. Vem o segundo momento crítico. Você termina o mês do jeito que começou, magricela feito um amigo meu acolá após um mês de Sibutramina. Se você ainda assim persistir e continuar no segundo mês parabéns. Após o segundo mês você não vai ter mudado muita coisa de quando terminou o primeiro mês. Aliás, a balança dirá que você está engordando. Terceiro momento crítico.

Após muita crise existencial, se você ainda conseguir relevar tudo de ruim advindo de uma academia e continuar malhando talvez você comece a ver resultados. Pra falar a verdade verdadeira, resultado você nunca verá em si. Quem os verá serão os outros e lhe dirão: Nossa! Como você tá preenchido. Uau! Tá ficando com um corpo bacana.

Só aí é que a academia vai passar a valer a pena. Com o tempo você começa a extrair da academia outros conhecimentos, mas isso é papo pra outra conversa.

segunda-feira, 14 de março de 2011

Voltando

Bem, depois de um bom tempo fora dessa vida bloguística, estou tentando voltar para esse lugarzinho que acolheu meus textos. Eu como um bom virginiano deveria ter programado minha volta, tipo ter escrito uns textos bem bons, no mínimo uns 5 (é bom sempre ter um texto reserva para quando se está entediado de escrever), catalogá-los em pastas do computador nomeadas por tema, por estilo, por tamanho do post... e ir publicando eles aos poucos...

Porém acabou que resolvi voltar sem nenhuma carta na manga, só resolvi escrever e aqui estou.

Peço desculpa antecipadamente aos leitores que me acompanham (que não são muitos... aliás, tem alguém aí?) por esse jejum de posts tão longo. Vou tentar ser mais constante nas postagens.

Ou não.

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

A carta de Joãozinho


- Eu quero que vocês escrevam uma carta – disse a professora.

Ao término do tempo, lá foi Joãozinho entregar a carta pra professora. Ela leu, arregalou os olhos e falou:

- Joãozinho, como você foi capaz de escrever isso? Um aluno tão inteligente. Vá já pra coordenação!

Na coordenação Joãozinho contou o ocorrido.

- A professora mandou a gente escrever uma carta, eu escrevi, mostrei pra ela e ela me mandou aqui.

Após rápida leitura o rosto de espanto.

- Joãozinho, não acredito nisso. Vá já pra diretoria!

Chegando lá...

- A professora mandou a gente escrever uma carta, eu escrevi, mostrei pra ela e ela me mandou pra coordenação. Lá na coordenação a coordenadora leu e mandou pra cá.

- Joãozinho, o que significa isso? Isso não é coisa que se faça numa instituição de ensino. Você está expulso da minha escola! Pode ir para casa e nunca mais apareça aqui.

Cabisbaixo, Joãozinho foi embora da escola com a mochila nas costas, a carta na mão. Pegou seu ônibus de volta pra casa. O trocador seu amigo estranhou Joãozinho fora da escola tão cedo. Perguntou o que havia ocorrido.

- A professora mandou a gente escrever uma carta, eu escrevi, mostrei pra ela e ela me mandou pra coordenação. Lá na coordenação a coordenadora leu e mandou pra diretoria. Lá na diretoria a diretora leu e me expulsou da escola.

- O que deve haver de tão grave nessa carta? (...) Filha da puta! Que porra é essa? Pára o ônibus motorista, esse garoto vai descer e é pela porta de trás. Vaza garoto!

E lá foi Joãozinho caminhando pelas ruas até chegar em casa. No meio do caminho encontrou seu vizinho policial que logo perguntou o que ele estava fazendo tão cedo fora da escola.

- A professora mandou a gente escrever uma carta, eu escrevi, mostrei pra ela e ela me mandou pra coordenação. Lá na coordenação a coordenadora leu e mandou pra diretoria. Lá na diretoria a diretora leu e me expulsou da escola. Então eu resolvi voltar pra casa, mas estava no ônibus quando o trocador leu e me expulsou do ônibus.

Novamente o espanto estampado no rosto de mais um leitor.

- Joãozinho, eu como um profissional empenhado na convivência pacífica da população não posso permitir que você ande por aí com isso em mãos. Peço que você me acompanhe até a delegacia mais próxima.

E lá foram o policial e Joãozinho para a delegacia. Lá o delegado quis saber o que havia ocorrido.

- A professora mandou a gente escrever uma carta, eu escrevi, mostrei pra ela e ela me mandou pra coordenação. Lá na coordenação a coordenadora leu e mandou pra diretoria. Lá na diretoria a diretora leu e me expulsou da escola. Então eu resolvi voltar pra casa, mas estava no ônibus quando o trocador leu e me expulsou do ônibus. Quando estava voltando para casa de pé encontrei meu vizinho que é policial. Ele leu a carta e me mandou para a delegacia.

- Deixe-me ver essa carta. (...) Filho, infelizmente não posso permitir que você volte pra casa, você terá que ficar preso alguns dias aguardando o processo que será movido pelo Estado contra você.

Lá estava Joãozinho preso. Alguns dias depois no processo.

- Declaro aberto o processo contra Joãozinho. O que o réu tem a falar?

- A professora mandou a gente escrever uma carta, eu escrevi, mostrei pra ela e ela me mandou pra coordenação. Lá na coordenação a coordenadora leu e mandou pra diretoria. Lá na diretoria a diretora leu e me expulsou da escola. Então eu resolvi voltar pra casa, mas estava no ônibus quando o trocador leu e me expulsou do ônibus. Quando estava voltando para casa de pé encontrei meu vizinho que é policial. Ele leu a carta e me mandou para a delegacia. Na delegacia o delegado me prendeu após ler minha carta e agora estou esperando meu julgamento.

Após apurado os fatos e as provas o juiz não teve dúvidas quanto ao veredicto.

- CULPADO! Sua pena será de morte na cadeira elétrica.

E lá foi Joãozinho preso novamente. Dois dias depois morreu eletrocutado na cadeira elétrica. Chegando ao céu lá estava Ele de braços abertos esperando por Joãozinho. Como um trovão sua voz suave ressoou.

- Joãozinho, o que fazes aqui meu filho? Pareceu-me um garoto cheio de vida, obediente, educado. Não te esperava aqui tão cedo.

- A professora mandou a gente escrever uma carta, eu escrevi, mostrei pra ela e ela me mandou pra coordenação. Lá na coordenação a coordenadora leu e mandou pra diretoria. Lá na diretoria a diretora leu e me expulsou da escola. Então eu resolvi voltar pra casa, mas estava no ônibus quando o trocador leu e me expulsou do ônibus. Quando estava voltando para casa de pé encontrei meu vizinho que é policial. Ele leu a carta e me mandou para a delegacia. Lá na delegacia o delegado me prendeu após ler minha carta e pediu pra eu esperar pelo meu julgamento. Fui julgado, mas o juiz após ler minha carta deu o veredicto na hora: culpado. Então fui condenado a pena de morte na cadeira elétrica e agora estou aqui.

- Mas o que pode haver de tão grave nesta carta? Deixe-me lê-la. (...) Pelos anjos do Senhor, chagas abertas, coração ferido, meu sangue tem poder, Osana nas alturas, céus e terras passarão, mas essa carta não passará. Joãozinho você não é digno de entrar no Reino dos Céus. Vou mandá-lo para outro local.

E com o seu poder divino, Deus expulsou Joãozinho do Céu. E lá foi ele descendo, descendo, descendo... Chegando ao Inferno, Joãozinho foi logo questionado pelo Diabo.

- A professora mandou a gente escrever uma carta, eu escrevi, mostrei pra ela e ela me mandou pra coordenação. Lá na coordenação a coordenadora leu e mandou pra diretoria. Lá na diretoria a diretora leu e me expulsou da escola. Então eu resolvi voltar pra casa, mas estava no ônibus quando o trocador leu e me expulsou do ônibus. Quando estava voltando para casa de pé encontrei meu vizinho que é policial. Ele leu a carta e me mandou para a delegacia. Lá na delegacia o delegado me prendeu após ler minha carta e pediu pra eu esperar pelo meu julgamento. Fui julgado, mas o juiz após ler minha carta deu o veredicto na hora: culpado. Então fui condenado a pena de morte na cadeira elétrica. Morri, subi ao Céu, porém Deus ao ler minha carta me expulsou de lá. Agora estou aqui.

Então o Diabo leu a tal carta. E pela primeira vez a expressão facial mudou. Ele soltou uma risada satânica e vibrou.

- Finalmente tive o prazer de ler algo tão grandioso. Joãozinho o seu lugar é aqui. Seja bem-vindo.

Então o Diabo foi orgulhoso até o mural e colou a tal carta do Joãozinho para que todos pudessem ler. Então, de repente, soprou um vento e a carta voou do mural, caiu no chão flamejante do Inferno e pegou fogo.

Antes que me perguntem o que tinha escrito na carta eu digo que não sei, pois, como eu já falei, a carta pegou fogo.

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Momento Ih, Fudeu!


Você mora em Fortaleza, convive diariamente com aquele calor infernal e naqueles dias as muriçocas (ou pernilongos, dependendo do local) voltaram a atacar. Ventilador no 3 (sem fazer apologias a bandas regionais) pra sobreviver ao caos dessa situação. Eis que de madrugada falta energia. Lá vem aquela zuadinha chata no seu ouvido, Ziiiiiiiin, ziiiiiiiiin. Você se enrola pra se proteger da muriçoca, ou se descobre pra se salvar de ferver com o calor? Ih, fudeu!

Situação anterior acrescida de uma prova no dia seguinte que você foi obrigado a fazer por conta de 0,085 pontos.. Claro que você aproveita pra estudar um pouco mais, já que não está conseguindo voltar a dormir. Ao amanhecer vai para a faculdade fazer o tal teste e no meio do caminho bate o carro. Ih, fudeu!

Situação anterior acrescida de o fato acontecer na semana de véspera das férias. Adeus carro, adeus dinheiro, adeus férias. Ih, fudeu!

Situação anterior acrescida de sua mãe estar em casa por causa de uma cirurgia. Ela inclusive vai passar o seu mês de férias em casa o dia todo. E junto com ela vem o “Vá tomar seu remédio.”, “O que você está fazendo?”, “O almoço está pronto, vem comer.”, “Por que você vive no MSN?”, “Vai pra onde? Com quem? Volta que horas?”, “Vamos ao supermercado, depois ao banco, depois ao médico, depois à farmácia, depois à concessionária, depois à igreja, depois...”. Adeus sossego nas férias. Ih, fudeu!

Situação anterior acrescida de você não ter mais séries pra assistir no computador. Ou seja, você passa o dia em casa sem ter o que fazer. Ih, fudeu!

Situação anterior acrescida de uma dermatite no rosto que lhe impede de pegar sol. Você é obrigado a dispensar a única saída que surgiu para você. Praiazinha. Ih, fudeu!

Situação anterior acrescida de um acidente que causou o afogamento do celular do seu irmão. Agora ele quer de volta aquele celular que faz tudo que lhe deu de presente de aniversário, pois ele não pode ficar sem telefone. Adeus celular. Ih, fudeu!

Situação anterior acrescida de uma retirada de dinheiro da conta corrente. Eu nem dinheiro tenho na conta corrente, só na poupança, ou seja, tô devendo ao banco. Ih, fudeu!

Então em meio a todas essas situações você conhece alguém bacana, começa a gostar a da pessoa, troca juras, promessas, compartilha desejos, desenvolve uma relação bem íntima a ponto de... Ih, fudeu!

E alguns poucos dias depois a pessoa viaja para longe sem data pra voltar. Ih, fudeu!

Ainda vem o Dunga e fode com o meu Infinity. Ih, fudeu!

Ainda vem o Tiririca, a mulher melancia-pêra-uva-maçã-salada-mista, o Maguila, o Kiko e o Leandro do KLB, o Kleber Bambam, a Gretchen, o Netinho de Paula, e mais trocentos outros artistas decadentes, e fodem com a política nacional. Ih, fudeu!

Ê vida fudida!!!

Qualquer semelhança com a realidade é mera coincidência.

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Reclamando de A - Z

E no pior dia do ano cá estou com mais um post. Na verdade, por ser o pior dia do ano, já se imagina a qualidade disso aqui né. Não vai sair muita coisa boa. Na verdade só queria reclamar. Para os mais sensíveis melhor não continuarem a leitura, cenas muito fortes com linguajar vulgar está por vir.


a) Vou reclamar da tabela de números aleatórios que o professor deve ter usado para dar aquela nota pra mim. Pior é ficar me enrolando ao telefone, dizendo pra eu fa fa fazer a pro pro provinha. Qual será o tipo de retardo mental dele?

b) Vou reclamar da professora que acha que 0,085 é o suficiente pra dar uma cagada fenomenal no meu histórico. E ainda vem com aquela voz calma de astenia profunda. Cochilei cinco vezes enquanto falava com ela ao telefone.

c) Vou reclamar, aproveitando que falei de cagada, do cocô de gato no qual não pisei dia desses, mas que levei a culpa por ter pisado. Olhei no meu tênis e não tinha nada pregado, mas fui o bode expiatório da vez. Olhe se for pra levar culpa que seja por ter feito a coisa. Burramente eu não fui lá fora da sala e pisei num real tolete de gato, misturado com mijo, vômito, escarro, formol do laboratório de anatomia e uma pitada de jardineira com picadinho do RU. Aí sim, não negaria que o cheira era do meu tênis.

d) Vou reclamar do meu carro por não ter conseguido frear a tempo de bater em outro carro. Claro que a culpa não foi minha, obrigação do freio é parar o carro, se não parou então a culpa é dele, se o pneu tava careca então a culpa era do pneu, se a pista tava molhada então a culpa era da pista (ou da água por molhar), só não era minha.

e) Vou reclamar do carro que eu bati por ter batido em outro carro. Era pra ele ter mantido a distância de segurança do carro da frente pra evitar justamente isso. Fudeu com meu orçamento familiar, consertar três carros (incluindo o meu).

f) Vou reclamar do fato de isso ter acontecido a uma semana das minhas férias. Resultado: adeus férias. Não vou ter carro pra sair, nem dinheiro. Tudo bem que o dinheiro pra pagar o rombo não vai sair do meu bolso, mas com certeza também não vai entrar dinheiro nenhum no meu bolso nos próximos meses.

g) Vou reclamar do buraco que o meu corpo formou no meu colchão. Agora não durmo mais de cama, pois o colchão vira rede quando eu deito, se adapta completamente ao meu corpo. Quando amanheço todo entrevado tenho que sair de dentro de uma vala com muito esforço.

h) Vou reclamar da bateria do meu celular-que-faz-tudo. Ele canta, toca, dança, faz pipoca, faz cafuné, tira dinheiro do banco, lava louça, limpa banheiro, agoa as plantas, faz as compras da minha casa, me consulta, faz terapia comigo, me aconselha... ele faz tudo, inclusive ligar. É igual farmácia Pague Menos, vende tudo, inclusive remédio. Porém a bateria do meu celular só agüenta 24horas. Nem o meu Nokia 3310 modelo tijolão halteres de academia, era tão fraco.

i) Vou reclamar das minhas meias furadas e das minhas cuecas afolozadas. Se quiserem me dar meias que não estejam na promoção “Compre 5 pares e ganhe um ferro de passar da Wallita” já podem. Aceito até as Meias Vivarinas, aquelas que não são cortadas nem pelas Facas Ginsworld Class. Mas pela óstia consagrada meu pé é 43, achem uma meia decente que caiba num pé indecente desses. Digo o mesmo para as cuecas, o elástico delas está pouco resistente. Tem uma que eu só uso porque já é de estimação, mas não segura mais nada, e ainda deixa um mondrongo disforme na frente enquanto a borda da cueca fica em formato de ondinhas.

j) Vou reclamar também da falta de espaço no meu quarto. E não é porque eu sou bagunçado não. Daqui a pouco tempo, pra entrar algo ali vai ter que sair outra coisa. Eu já nem me considero mais dormindo naquela cama daqui há seis meses. Vou pra sala. A cama já está semi ocupada, atualmente durmo na metade dela. Já quero um puxadinho no meu quarto pra jogar minhas tralhas.

k) Vou reclamar da privada do meu banheiro que não pára de pingar. Daí vem o meu pai e diz que eu cago muito grande e que por isso entope. Desculpa se eu ainda não aprendi a lendária técnica de fatiar a bosta pra facilitar a vida da descarga.

l) Vou reclamar da falta de tempo pra estudar pra toda e qualquer prova da faculdade. Não venham budejar no meu ouvido e dizer que é porque deixo a matéria acumular. Desculpa se eu tenho vida social. Pior é quem não tem vida social e ainda assim não consegue terminar a matéria. Morram.

m) Vou reclamar daquele aspirante a halterofilista da minha academia que fica gritando enquanto levanta peso. Se não pode com os pesos que carrega então não coloque ora porra! Pior é ficar gemendo feito uma porca no cio. Fora que fica todo suado se esfregando nos aparelhos. Nem autoclavando esteriliza aquela gosma. E ainda atrapalha a gente, pedindo pra ajudar a levantar os pesos com ele. Ô vontade que eu tenho de soltar sem querer a barra na cara dele. E digo logo que se alguém se identificar com isso eu nego até a morte que fui eu que escrevi.

n) Vou reclamar da minha internet à lenha. Lerdox. Ver vídeos no Youtube é uma lenda. Baixar seriados é uma ilusão. Já até tentei deixar baixando de um dia pro outro, laptop ficou lá, ligadão na tomada a noite inteira, quando acordei empolgado pra ver o que tinha baixado, descubro que a internet tinha caído. O nome disso é sabe qual? Acha pouco. Se o próximo presidente quiser fazer um projeto Bolsa Velox eu acho digno. Já tem o meu voto.

o) Vou reclamar do Cid Gomes. Claro que não poderia de deixar de reclamar dele que tanto fez pela minha Universidade. Vocês estão entendendo a minha ironia ou eu vou precisar colocar isso ¬¬ ? Se ele quiser entender que ele é governador do ESTADO e que por isso precisa investir na educação do ESTADO, tipo na Universidade ESTADUAL do Ceará, seria bom. Não fez nada pela UECE. Tomara que ele se afogue no Aquário que ele planeja construir.

p) Vou reclamar da falta de absurdo do Instituto Superior de Ciências Biomédicas por ter nos expulsado de uma das salas de lá. Mas calma, vamos para outro bloco que vai ser construído com toda infra-estrutura necessária para que possamos ter aulas com recursos de datashow, ar-condicionado, paredes isoladas, cadeiras acolchoadas... Hanrãn, senta lá Cláudia.

q) Vou reclamar do meu plantão que está mais parado do que a pedra que havia no meio do caminho. Residentes de greve, staffs não descem pra atender ninguém, fico boiando feito merda n’água. Se quiserem salvar o povo já podem viu.

r) Vou reclamar do frio que faz na residência médica de madrugada. É um martírio dormir naquela geladeira, posso dormir 10 horas da noite, mas ainda acordo como se tivesse dormido muito pouco, pois fico me acordando de 10 em 10 minutos por causa do frio. Acho digno desligarem o ar-condicionado enquanto eu estou dormindo.

s) Vou reclamar de datas onde todo mundo fica numa felicidade questionável desejando tudo de ótimo pra você. A saber: Natal, Ano Novo, Aniversário e Dia dos Namorados. O discurso é sempre o mesmo: felicidades, sorte, saúde, paz, blá blá blá. Já posso ter abuso disso? Por que ninguém surpreende tipo “vamos para um cabaré”, “vamos beber até morrer, eu pago”, “desejo que você tenha 12 mulheres, uma pra cada mês do ano pra não enjoar”, “pega a chave do meu carro, pode sair nele hoje e voltar quando quiser”? Se quiserem ousar comigo estou topando.

t) Vou reclamar das minhas caspas que não largam da minha cabeça nem com xampu anti-caspa. Já cortei o cabelo no zero, já usei uma loção que tinha cheiro de bosta de vaca misturado com o suor do halterofilista da academia (vide letra m) e nada resolveu. Tenho é vergonha quando vou cortar o cabelo e vejo as expressões faciais do cabeleireiro do tipo “que demônio de farinha é essa no cabelo dessa criatura?”.Se alguém tiver um produto bom que ajude eu agradeceria.

u) Vou reclamar da minha indecisão, insegurança e incerteza (nem sei se querem dizer a mesma coisa). Não carece de explicação.

v) Vou reclamar até da Lorena Simpson e suas músicas viciantes. Ela deve ter feito pacto com o demo, porque eu não consigo mais parar de ouvir essas músicas. “Free to live, live my life, now I’m letting all behind.”

w) Vou reclamar das minhas mazelas, tipo meus olhos problemáticos, minha epilepsia parcial simples, minha CMAFM (Carência Múltipla Aguda Fatal Maligna), minha bipolaridade, minha demência supra-cortical, minha enxaqueca, minha catarrocefalia, dentre outros que não vale citar aqui. Se o Criança Esperança me conhecesse faria um show só em prol da minha saúde. Teleton já tentou me ajudar uma vez.

x) Vou reclamar dos meus pêlos corporais. Podem crescer, mas se quiserem crescer mais devagar já podem. Meu estilo Tony Ramos não me agrada, prefiro estilo Gianecchini (comentário gay, não?).

y) Vou reclamar das minhas reclamações totalmente sem sentido, vocês são muito pacientes por chegarem até aqui. Deus é mais, chagas open.

z) Vou reclamar finalmente da porra desse alfabeto com tanta letra. Caralho! Quase não acabo essa bosta aqui. Fui.


Parabéns para mim! ¬¬’